Jose Airton Ponte, o Boris, nasceu na cidade cearense de Sobral em 1949, sendo um dos doze filhos de uma família humilde, mas de fortes princípios morais.
Jovem destemido, aos 10 anos, começou a vender
“água de quartinha” na Estação de Sobral* e aos 15 anos, partiu do interior em
busca de melhoria de vida. Era o ano de 1964 e Fortaleza, a capital do Ceará,
era uma cidade em ascensão, cheia de oportunidades para aquele garoto decidido
a transformar seus sonhos em realidade.
“Naquela época, Fortaleza tinha 900 mil habitantes.
Eu fui morar na rua Sete de Setembro, no Pirambu. E a gente ouvia falar que o
Pirambu era um bairro muito perigoso, mas eu sempre gostei porque era muito
próximo do Centro da cidade. Eu vinha a pé para o Centro. Tinha a (avenida)
Francisco Sá.
E eu aprendi a andar para o Centro logo no segundo
dia em que eu estava aqui. Comprei uns óculos nas Casas Freitas. Descobri onde
era que os camelôs compravam óculos. Porque eu cheguei aqui e vi mais de 15
camelôs ali na esquina da General Bezerril ao lado da Assembleia vendendo
óculos. Se tinha tanta gente vendendo óculos, é porque era um negócio bom.
Eu usava óculos esportivos e tinha sido um sonho ao
comprar meus primeiros óculos. Aqui em Fortaleza eu comprei os primeiro óculos
por um conto e duzentos e vendi por dois. Aí eu disse: o negócio é bom. Passei
nove anos vendendo óculos esportivos no Centro de Fortaleza. Isso foi em 1964.
Em 1969, eu dei um voo mais alto. Fui a São Paulo comprar lá.
Eu só tive um irmão que foi vender óculos comigo.
Os outros seguiram outros comércios, confecção, indústria de esquadrilha de
ferro.” Boris
“Boris, o rei dos óculos esportes”
Começou suas vendas na Praça do Ferreira, com óculos esportivos que eram conduzidos nas mãos.
Os primeiros anos na cidade grande foram de muitas
dificuldades! Pelas ruas do Centro, Boris fez amigos e trabalhou como vendedor
ambulante durante 9 anos, oferecendo os mais variados óculos esportivos.
Era o que sabia e o que amava fazer.
Em 1973, com fé, empenho e muito esforço, ele
juntou suas economias e conseguiu a realização de um sonho, abriu sua primeira
ótica “na galeria Brandão, número 2”, a primeira das Óticas Boris, com apenas
um funcionário, que trabalha com Boris até hoje.
Seu sonho começava a se realizar.
“As óticas Boris foram fundadas em 23 novembro de 1973.
Dentro das óticas Boris já passaram minha esposa, minha mãe, meus irmãos,
cunhados e cunhadas, várias pessoas como sócios.
Foi o seguinte. Em 1967, meu pai resolveu voltar
para Sobral. Eu disse que para Sobral eu não voltaria. Eu tenho mais de 45 anos
aqui em Fortaleza. Não é que eu não gostasse de Sobral, mas é porque eu sonhava
algo maior, um voo maior. Eu fiquei morando aqui como mensalista na rua SenadorAlencar, 817. De repente, aparece lá um cidadão, que era da Polícia Federal na
época da revolução, Aureliano Duarte da Silva. Esse rapaz vinha do Rio de
Janeiro e na época estava se montando aqui no Ceará o Departamento de Polícia
Federal. E aí foi a minha sorte porque ele era um cidadão nota dez, um homem
íntegro. Ele tinha um filho da minha idade e ele parecia muito com o papai
fisicamente. Ele me ajudou em sua formação como policial a ajudar a arrumar
melhor o quarto, a me orientar para aprender a escrever...
Em 1973, juntei minhas economias para montar meu
negócio. Eu tinha uma casa aqui no Bairro da Piedade. Um quarteirão para aAguanambi com Dona Leopoldina, em frente ao prédio da Coelce. Aí eu vendi essa
casa e comprei a chave de um ponto comercial na Galeria Professor Brandão.”
Boris
Marchinha
Em 1975, essa loja foi a primeira a ganhar um
jingle, uma das mais famosas estratégias das Óticas Boris em toda sua historia.
“Essa marchinha surgiu em função de uma besteira
que eu fiz e, eu então para me retratar ao dono da galeria, que foi tão bom e
tão generoso comigo, fiz essa marchinha. Eu acredito que ainda hoje quando ele
escuta essa marchinha no rádio, na televisão, que é o seu João Neto Brandão,
ele fica feliz. Eu tornei a Galeria Professor Brandão a mais famosa e a mais
conhecida através desse jingle que toca há mais de 40 anos na televisão.” Boris
A marchinha era assim:
"Se você vai comprar óculos, faça como eu fiz,
na Galeria Brandão número dois, nas Óticas Boris"'.
O mais famoso, entretanto, é o que foi lançado em
1979 e toda criança cantava na época e hoje muitos adultos ainda lembram.
O 'Cadê Cacá'
foi criado por causa da novela 'Dancing Days' e era o nome do personagem interpretado
por Antônio Fagundes.
“Cadê Cacá ca ca cá...? Tá na Boris Boris Boris..."
Pela sonoridade que lembra as marchinhas de
carnaval, agrada aos ouvidos até de quem nunca ouviu falar na novela.
“Depois veio o “Cadê Cacá?”, que foi uma ajuda
muito grande do meu estimado e saudoso amigo Irapuã Lima, que eu tenho uma
gratidão muito grande. Ele tinha uma audiência muito grande. Era o Chacrinha do
Ceará. Ainda hoje tenho muitos clientes por conta do Irapuã Lima.
Cacá foi do Dancing Days quando Antônio Fagundes
saiu na revista Sétimo Céu e fazia parte como ator da novela com o
personagem Cacá. Eu passei em uma banca de revista e o vi com uma armação de
óculos oval no rosto e eu tinha muito aquelas armações dentro de casa. Eu
cheguei e mostrei para o Irapuã Lima: Olha, Irapuã, eu tenho umas 900 armações
dessas aqui e o nome do artista é Cacá. Então, vamos chamar essa peça de Cacá e
vamos colocar no rosto das Irapuetes. Aí a orquestra toca e vamos fazer um
jingle. Ele respondeu: Amanhã eu trago esse resultado. Ele disse que estava no
banheiro e começou: “Cadê Cacá, Cacá, Cacá? Tá no Boris, Boris, Boris”. Ele era
muito criativo e daí foi.” Boris
Dando um passo de cada vez e sempre considerando o
cliente um rei e “para ele todas as honras”, as Óticas Boris conseguiram se estabelecer.
O segredo do sucesso, Boris sabe de cor: “ser especialista em óculos de grau”.
As primeiras realizações
A loja recém-inaugurada apesar de modesta, prezava em oferecer bons artigos a preços
baixos, variedade de produtos e pronto atendimento a um público diversificado.
Tudo isso aliado ao trabalho árduo e à confiança de parentes e amigos, permitiu
que as Óticas Boris continuasse crescendo. Hoje já são mais de 40 anos de sucesso!
Em 1974 foi inaugurado o primeiro laboratório
óptico e com o passar dos anos, as filiais e o prédio administrativo.
Homem de fé, Boris diz que não estaria mais vivo se
não acreditasse tanto em Deus. Ele conta que, todas as vezes em que fica
triste, lembra de tudo o que já passou e de como ele conseguiu superar as
dificuldades com esforço.
O apelido
O codinome Boris, que José Airton carrega desde
criança, veio meio por acaso, em função de um apelido que o pai, bom jogador em
peladas, conseguiu:
“Meu pai se chama Francisco Ponte e, na sua
juventude, apelidaram meu pai de Boris. Ele, jogando bola, pegou a bola,
driblou três e fez o gol. E, na época, estava passando um filme com o Boris
Karloff (ator britânico de filmes de terror que atuou em Frankenstein), que era
um monstro, e aí colocaram esse apelido no meu pai. E eu andando com o meu pai
aos seis, sete anos de idade, começaram a me chamar de Borizinho. Eu gostei e
adotei esse nome de Boris.” Boris
O nome, que hoje é uma das marcas mais respeitadas
no Ceará, foi usado pelo empresário desde o primeiro óculos esporte que ele
vendeu nas ruas de Fortaleza, aos 15 anos.
As Óticas Boris se consolidou no mercado cearense e
permaneceu firme diante das seguidas crises econômicas enfrentadas por nosso
pais, sempre com muita esperança e determinação.
“Eu consegui transformar esse nome Boris em uma
marca. Era o apelido de um simples vendedor de óculos, um camelô e consegui
conquistar o respeito e a admiração da população do estado do Ceará. Esta marca
está gerando mais de 500 empregos diretos, são 81 lojas. Hoje os filhos, noras e genros,
também estão fazendo parte dessa marca. O
segredo da Boris é ser especialista em óculos de grau e assim sendo, nós vamos
orientar o cliente na escolha da armação, na escolha da lente. Nós compramos
bem para vender por um preço justo e fazer com que ele fique feliz com o
produto que ele comprou.” Boris
*”O dinheiro que a mamãe tinha era 500 réis que eu
peguei emprestado. Fui ao mercado, comprei uma quartinha (utensílio de barro),
lavei, enchi de água e fui vender na estação. Aí foi um escândalo. Encontrei um
primo rico na estação. Imediatamente, ele chamou meu pai e mandou me tirar da
estação que era perigoso, mas não era só o perigo. Era a vergonha de ver o
primo pobre vendendo água na estação...
Na semana seguinte o primo rico foi para o cinema
com a namorada e se deparou comigo com uma caixa de bombom pendurada no
pescoço. É que a cidade era pequena e, no interior, quando tem uma família
rica, ter uma parte pobre, não era muito bom e não é até hoje. Não guardo mágoa
de ninguém, mas são essas coisas que dá para rir. Então, aos 12 anos de idade,
eu já comecei a viajar para a Serra Grande para vender chinela japonesa.” Boris
Crédito: Site oficial das Óticas Boris e Teresa Fernandes (Jornal O Povo)